terça-feira, maio 27, 2008




Árvores


Elas, as árvores,
fazem parte de nós.
São a sombra,
o pulmão,
o pão
a vida.

As árvores,
são o banco,
descanso
do corpo
cansado,
o psicólogo
o médico
a alma

As árvores são
murmúrio profundo
do vento que passa
São leito,
palco de coitos,
fervorosos...
cantigas chilreantes
de vida

árvores são
casas
paus d'amparo
cajados de velhos
muletas amputas
o presente
o ausente
o horizonte

As árvores
são cor
brilhos
dor
berço
que conduz
pela eternidade.

Maricelper, 27 de Maio, 2008

sábado, maio 24, 2008




Mulher
Âmago, corpo,
Seio de alimento,
Seiva pura de vida
Fermento

Mulher
Tu, de peito rasgado
Pela luta de alvitrada dor
Que consome, por vezes,
a alma.
Corroendo partes de ti
Te esvazia o ventre
Te criva no coração
Lanças desorientadas
De esperança.

Tu,
cada vez mais mulher,
cada vez mais poderosa
Explodes. Sôfrega de paz
Por momentos, o mundo cai.
A teus pés, tudo parece ruir.

Acordas no intimo
Aquela força regeneradora,
Capacidade perpétua
De reconstruir
guerra sem tréguas
Lutas Metamorfósicas
Metastases enlutadas

Mulher
Corpos que se agitam
Luzes que se acendem
De novo
Pelo poder da tua força
Pela génese do teu ser.

Tu és, e serás
Sempre,
Eternamente
Mulher!
Maricelper, 24 de Maio, 2008

domingo, fevereiro 17, 2008

Memórias...
São Bartolomeu de Cavês. Guerrilhas rurais.

COMO ELLA O AMAVA Aos 24 de agosto na povoacáo chamada Cavez ruja ponte sobre o Tamega extrema pelo norte a duas provincias do Minbo e Traz os Morites celebrase a lesta de S Bartholomeu santo gra emente infesto a Satauaz Vem aqui de muitas legoas em vol ta dezenas de crcaturas obsessas É para notar que raro homem allí va incubado de demonio As mulheres é que por cima de muitas outras penas soffrem o dissabor de serení visitadas pelos espiritos infernaos caso único a meu ver ein que os sobreditos espiritos se mostram espirituosos Й de saber que o démo loin caprichos sujos en islo como Pin muitas outras coisas parece homem com resalva do leitor A legifio d elles que se eutra nhou na vara de cochinos era indecente S Jero nymo na vida do beato Ililariíio conta d um formi davel demonio que se alojou u uní camelo o qual levado
"fosse a sala de baile havia do ser urn pandemonium E quern sabe se C O regirar vertiginoso dos bailados nao parece coisa macabra doidice satánica vórtice em que as almas váo rcmoinliando até caírem ñas fauces do dragäo Eminentes sabios e santos estím commigo Oic Amos o congregado Bernardes Que o que baila e danca tem parte de louco e furioso basta vol o de fora para confessal o Aquellos mesmos movimentos do corpo too varios lao ligeiros tào violentos tüo affectados oslao indicando que o siso está movido algum tanto do seu assento R ajunla Bcm certificados podamos ficar de que os bailes danças e saraos costumam razor coinsigo muitos peccados A nao ser assim nem os demonios insis tiram tanto em os persuadir S Valeriano na Homilía 6 a De otiosis verbis diz que as danças sào laços do demonio que ajudain a ciar in
"estadulhos с estive a morte Aqui tcm o sr morgado o que cu tenho coin eilt1 É esta que eslá a cnntar A moca vale a pena Guapa rapariga Tens razäo Lobo Ja corrcu o primciro prega o dos baiihos É a mdhor lavradeira do povo e de cara nin gucm no concelho llie deila agua as miios Casas com ella Entäo será bora que te poupes Lobo Nada de morrer Que lern 1й isso Se morrer ja nao preciso ra sar Morra o liomcm e fique fama A este tempo cantava a Isabelinha do Itegueugo Quem quizer cantar commigo ha île ter no pello am jres am am as aves cantando entre arvoredoí e flores Eo competidor respondía Entre arvoredos e flores ja te eu vi linda pombinha kixei le ir sein te dar oí o que vraf fouira e nemja rninha O Lobo de Cerva ouviu esta copla e franziu a so brancelfaa envergando os olhos ao cantor depois foi á

retirado de:
Archivo pittoresco semanario illustrado Por Castro Irmão
Archivo pittoresco semanario illustrado Por Castro Irmão: "


Desenho de Nogueira da Silva Gravura de Coelho







Chorosos versos meus desentoados,

Sem arte, sem beleza e sem brandura,

Urdidos pela mão da Desventura,

Pela baça Tristeza envenenados:



Vede a luz, não busqueis, desesperados,

No mudo esquecimento a sepultura;

Se os ditosos vos lerem sem ternura,

Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:



Não vos inspire, ó versos, cobardia

Da sátira mordaz o furor louco,

Da maldizente voz e tirania:



Desculpa tendes, se valeis tão pouco,

Que não pode cantar com melodia

Um peito de gemer cansado e rouco.



Bocage

quinta-feira, dezembro 20, 2007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Saltério. Fantástico o som deste instrumento Persa.
No lançamento do livro de poesia de Adalberto Alves: "Irão, Viagem ao país das rosas". Teatro Nacional D. Maria, 06/12/2007

">

quinta-feira, novembro 01, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

Rever a exposição "O motor da República - os carros do Presidente" efectuada no âmbito das Comemorações do 5 de Outubro de 2006.



domingo, setembro 09, 2007

Ribeira de Pena, no You Tube

Agunchos




Bustelo



Salvador




Seixinhos - Actuação Bombos de Cerva

Embalada na noite


Embalada na noite
Ouço o silêncio
Que foge,
Entre os dedos,
Pestanejo no sonho
A aventura diurna.
Calo no ventre
A ânsia de sorrir,
Calo na alma
A vontade
De fugir.

Embalada na noite,
Estendida,
Sob o meu corpo,
Leito de nuvem,
Algodão de luz
Adormeço.
Um sono profundo.

Embalada na noite
Que cala o mundo.


Maricelper
5-09-2007
A Baco











Inebriado mito,
Endeusado
Em estranho ventre,
Parreira de gozo,
Límpida mistela
Colhida das entranhas
De bravo mosto.

Seivas, de matizes dourados
Roxos etilizados,
De gloriosas vitórias
Cantas com ébrias esperanças
As lutas,
Embriagadas
Em perpétuas
Memórias.

Maricelper2-09-2007

domingo, julho 16, 2006

Xi! Há quanto tempo não passava por este meu cantinho...

Hoje, resolvi revisitá-lo. Varrer as teias de aranha. Abrir as janelas. Deixar entrar o ar.
Afinal, já passaram três anos. Três compridos anos, onde muita coisa aconteceu...

Bom, hoje resolvi colocar aqui um poema escrito há longo, longo tempo. É um poema de que gosto muito. Fala do homem, da evolução e da sua constante reescrita da vida.


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Palimpsestos

Afirma o poeta que o mundo pula e avança
O que nunca disse é que ele se rescreve,
sempre, mesmo na vida duma criança!
Na corrente dum rio, na vida dum vegetal
ou, até mesmo, na grandiosa arte monumental,
num curriculum de vida, qual pergaminho medieval.

Dos velhos scriptoria fica a lição:
É preciso ler, não só com os olhos
mas, também com o coração!

Obrigado ó homem que deixas a marca da tua essência
nesse palimpsesto legível mesmo na tua ausência
tangivel pelos nossos sonhos o teu modus vivendi
Muitas vezes quebra cabeças, deste mundo racional,
mester rasgado do foro mental,
da escrita por ti apagada nessa pele de animal.

Dos velhos scriptoria fica a lição:
É preciso ler, não só com os olhos
mas, também com a emoção!

Ó Homem! não importam os suportes que fruíste...
sejam as rochas que riscaste, sejam as rochas que esculpiste,
ou as tabuínhas enceradas, plenas de traços cuneiformes.
Papiros, pergaminhos e papeis eternizados por signos uniformes,
qual solo transformado pela inscrição da tua trânsumancia,
na enorme profusão de construções que nos legaste,
inquietação, constante, de prepectuar a tua vivência.

Dos velhos scriptoria fica a lição:
É preciso ler, não só com os olhos
mas, também com paixão!

Perdoa ó homem as falhas que temos!
nesta avidez consumista nem sempre te compreendemos,
apesar da leitura, desses palimpsestos que fazemos.
Efemérides rasas de vida,
estratigráficas e infinitas marcas
de memórias triadas pelo crivo dos tempos.

Dos velhos scriptoria fica a lição:
É preciso ler, não só com os olhos
mas, também com gratidão!

________


Poema dito em:
http://www.vimeo.com/clip:87582#

domingo, abril 17, 2005

Ao Grande César!

Que este Domingo te embale
no fogo dos sonhos

Que este Domingo te afague
nas falanges longas da vida

Que este Domingo te sorria
com o sol que teima em fugir

Que este Domingo te dê Paz
nas entranhas dos segredos

Que este Domingo não fique
apenas mais um Domingo!

hoje, 17 de Abril de 2005

quinta-feira, janeiro 22, 2004

um outro poema...


PERGAMINHO
Jan Muá


Dedicado à Celeste Pereira,
amiga e conterrânea


Ela me atende
Me recolhe e me cuida
Como se eu fosse um pergaminho

Me pega folha por folha
Como se eu fosse um documento raro
Ou matéria viva de um arquivo

Ela me recolhe e se aplica à leitura
Letra por letra
E me classifica
Para chegar a atodas as minhas entrelinhas

Ela me perscruta nos meus variados registros
Numa profunda leitura
De concentrada emoção e paixão

Ela me lê poeticamente
Me enredando num largo abraço
Do tamanho de um oceano.

Jan Juá
03 de janeiuro de 2004

domingo, janeiro 11, 2004

E... Porque hoje é Domingo....


Partilhar...

Há dias este poeta Luso-Brasileiro escreveu-me um poema. Deixo-o aqui para partilharem comigo.

Obrigado Jan de Muá.

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PASSOS CELESTES
Jan Muá
7 de janeiro de 2004



De minha janela vejo toda tua ação

Dedicada e escondida no silêncio

Vejo tua animação tocando as coisas

Dando-lhes vida

Fazendo-as nascer e aparecer

Nas dobras de alguns segredos



Vejo-te aplicada

Na animação que a vida te dá

Soberana e livre

Curtindo a tua vontade de ser

E de fazer



Personaliza-te seres de um nobre tronco

Que vem dos céus

Como se foras fio de ligação com a Terra

Agindo na emoção fraterna

Que motoriza teus passos.



Jan Muá


Poema dito: http://www.vimeo.com/clip:89849

UM BOM ANO PARA TODOS 2004!
Aqui fica a imagem de São Pedro, colocada sobre uma das portas do alçado lateral da Igreja de São Pedro de Cerva, Ribeira de Pena.

terça-feira, dezembro 09, 2003

Janela

foto de fotoandarilho em 09-12-2003

Janela com vidros pintados?
Será casa? Será Jardim?
ou apenas disfarce de vidas
Enfim!

Não, Não me parece...
Acho que o dono é...
Artista? Talvez!

Mas, olhando com mais,
com mais atenção
parece que o dono
não passa dum folgazão!

Duas muletas de flores
grandes quadrados vermelhos
vestidos de vidros,
não de espelhos
Contam a história
duma não longínqua memória

já sei, o dono é, um contador!

Maricelper

Inspirado na foto
foto de maricelper em 22-12-2003


Natal...
Ouvem-se os sinos!
Assobia o vento
Cantam as águas

Brilham os olhos
Crianças, velhos
sentem o céu
agarram a alma

A cidade veste-se
de inúmeras lantejoulas
Cintila, afaga
na dureza do inverno
acende a acha
perpetua... a queimar

Das casas solta-se o cheiro
doce... de dourados matizes
qual canela de raízes
perfuma o espírito dos gestos

No chão um manto,
quase sempre branco,
acolhe o teu pisar.
É Natal..

Maricelper
2003

segunda-feira, novembro 17, 2003



Praia fluvial de Casas Novas, Ribeira de Pena, ontem, dia 16 de Novembro de 2003, às 14.

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